Ai, ai... qual será o título pra esse post? Como poderia ser nomeada uma noite dessa, uma sexta-feira daquelas, essa falta de abrigo?
O que falar desse mundo em que nasci, mas que no fim das contas descubro que não tenho afinidade nenhuma com ele? Se ele me incomoda, se ele me machuca, se tudo ao redor maltrata... Se há tanta preocupação em fazer tudo correto pra no final tudo passar despercebido, a sensação de ter que ser perfeito pra nada, dar a vida por uma vitória que não chega, ou por um troféu que ninguém vê e quando dou por mim percebo que não era esse o troféu que eu desejava...
Às vezes tenho tanto sentimento pra colocar pra fora, tanta coisa pra falar, demonstrar, tanta vontade de gritar... Chega de ser ‘pedra’, quero sentir esse coração pulsar forte... Chega de ser ‘pedra’ e mesmo assim ter noites de insônia... Chega de ser forte, preciso de apoio pros braços também...
Quero um lar, não quero só um teto sobre minha cabeça... quero colo, não quero só uma boca pra beijar, um corpo pra esquentar... quero calor, não quero só fogo, fogo queima às vezes...
Isso tudo estava já tão óbvio, mas é incrível como eu espero alguém vir e esfregar a realidade na minha cara... esperei alguém que me viu duas vezes num consultório vir dizer meia dúzia de verdades pra explicar o porque minha pele sofre, grita, inflama... explicar o porque temos que nos cuidar, cuidar do interior, já que ele reflete totalmente no externo, uma coisa é resposta da outra...
Mudança forçada é difícil, PONTO. Planejar uma mudança pior ainda... Só espero que as coisas não fujam tanto dos planos (sempre pode piorar). A única coisa que não suporto mais é intermediar tudo, ter o controle de tudo, ser a base pra todos... SIM, vou sair do ar. Quero ver que tudo aqui vai continuar funcionando, enquanto eu vou estar me abrindo pra coisas novas, pessoas novas, passageiras... Sugar ao máximo um momento, um lugar, enriquecer com isso e voltar pro meu canto, e enfim construir meu lar, simples canto. Aí quem sabe assim as outras coisas aconteçam...
E pra você, botafoguense, “eu te escrevo e te mostro o que eu vi; e me mostro de lá pra você; guarde um sonho bom pra mim...”
“Já vou, será
eu quero ver
o mundo eu sei não é esse lá
por onde andar
eu começo por onde a estrada vai
e não culpo a cidade, o pai
vou lá, andar
e o que eu vou ver, eu sei lá
não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber
se alguém numa curva me convidar
eu vou lá que andar é reconhecer... olhar
eu preciso andar um caminho só
vou buscar alguém que eu nem sei quem sou
Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você
guarde um sonho bom pra mim”
______________________________Rodrigo Amarante
